
A produção brasileira de grãos na safra 2009/2010 deve ser 8,3% superior à do último ciclo, alcançando 146,31 milhões de toneladas. A estimativa, divulgada ontem (7/4/10) no sétimo levantamento da safra de grãos feito pela
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é a melhor da história, superando em 1,6% o recorde anterior, conquistado na safra 2007/2008, com 144,14 milhões de toneladas colhidas. Segundo a
Conab, os grandes responsáveis pelo resultado são o bom regime de chuvas nas áreas de maior produção, a ampliação de área do milho segunda safra e a antecipação do plantio de soja em Mato Grosso. Levando em consideração apenas a soja, deve haver crescimento de 17,9% na produção, ou 10,22 milhões de toneladas, elevando a produção para 67,39 milhões de toneladas.
No milho segunda safra, os agricultores aumentaram em 3% a área plantada e conseguiram um ganho de 15,9% em produtividade. Com isso, a colheita totalizará 20,73 milhões de toneladas, um aumento de 19,5% em relação ao ciclo 2008/2009. Somada à primeira safra, a produção atinge 54,14 milhões de toneladas, o que representa aumento de 6,1% ou 3,13 milhões de toneladas na comparação com o período anterior.
De acordo com a
Conab, metade de toda a safra já foi colhida. O Mato Grosso, um dos principais produtores do país, está na fase final da colheita. Goiás e Paraná já colheram mais de 60% e o Rio Grande do Sul, quase 30%. Dos principais produtos consumidos, já foram colhidos 60% do milho primeira safra, 65% da soja, 40% do arroz e todo o feijão primeira safra.
Apesar do crescimento da produção, a área total plantada nesta safra foi de 47,6 milhões de hectares, apresentando redução de 2% em relação ao ciclo anterior. Para chegar a esses valores, 68 técnicos da
Conab foram a campo ouvir representantes de cooperativas e sindicatos rurais, órgãos públicos e privados em todos os estados, entre os dias 15 e 26 de março.
"SUPERSAFRA" TRAZ DESAFIOS
A safra recorde de grãos anunciada ontem (7/4/10) pela
Companhia Nacional de Abastecimento, de 146,31 milhões de toneladas, traz um grande desafio ao governo: o apoio à comercialização. Na primeira entrevista depois da posse como ministro da Agricultura, Wagner Rossi afirmou que prefere enfrentar o desafio do que chamou de "supersafra" ao de uma escassez, mas acrescentou que a atuação federal precisa ser maior.
"Entre o desafio de enfrentar a escassez e o de enfrentar uma grande safra, eu prefiro a fartura, mas vamos ter dificuldades de armazenar e transportar", afirmou durante o anúncio do sétimo levantamento da safra de grãos elaborado pela
Conab.
Antes do comentário do ministro, o secretário de Política Agrícola do ministério, Edilson Guimarães, disse que não sabia se ficava feliz ou não com a estimativa de safra recorde. "Com uma safra dessas o governo terá que ter uma atuação muito forte", disse.
O motivo da preocupação é que a maior produção não leva, necessariamente, ao aumento da renda dos agricultores. Além disso, os ministérios da Agricultura e da Fazenda travam uma queda de braço para definir a portaria interministerial autorizando os mecanismos de apoio à comercialização de grãos.
Mas as duas pastas não chegam a um acordo quanto à melhor forma de fazê-la. Enquanto o primeiro ministério cobra maior agilidade, o segundo exige um maior detalhamento em relação a cada medida de apoio. As negociações começaram no final de janeiro e, mais de dois meses depois, com metade da safra já colhida, os técnicos dos dois ministérios ainda não chegaram a um consenso. Guimarães disse esperar que a decisão final saia até meados de abril, mas ainda aguarda a resposta do Ministério da Fazenda.
Ao final da coletiva, o ministro elogiou os três principais diretores da
Conab, Rogério Colombini, de Operações e Abastecimento; Silvio Porto, de Política Agrícola e Informações do Agronegócio; e Alexandre Magno, de Administração. "Feliz a
Conab que tem esses excelentes técnicos em seu quadro. Qualquer um deles seria um ótimo presidente", comentou em relação à escolha do seu substituto como presidente da estatal. Segundo Rossi, o novo presidente da
Conab deve ser escolhido hoje (8/4/10).
IBGE ESTIMA AUMENTO DE 8,5%
A produção de grãos no Brasil este ano deverá atingir 145,2 milhões de toneladas, um volume 8,5% maior do que o obtido em 2009, que foi de 133,8 milhões de toneladas. Para a área plantada, a expectativa é de um acréscimo de 1,5% também em relação ao ano passado. As informações constam do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do mês de março divulgado ontem (7/4/10) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa aponta, no entanto, ainda em relação a 2009, uma queda na área plantada do arroz (-4,9%) e do milho (-4%), que, junto com a soja (entre os três produtos, único com alta, de 6,4%), respondem por 81,6% de todo o plantio no país.
Quanto à produção desses três produtos, o milho e a soja devem registrar aumento de 3% e 18,1%, respectivamente, enquanto o arroz deve apresentar recuo de 9,6%. O IBGE atribui essas projeções às chuvas abundantes e constantes durante quase todo o ano de 2009, aliadas a um período de altas temperaturas no início de 2010.
A estimativa de março em relação à safra de 2009 mostra que, entre os 25 produtos pesquisados, 15 apresentam variação positiva, com destaque para o algodão em caroço (6,2%), a batata-inglesa (1,3%), o café em grão (9,1%), a cana-de-açúcar (1,8%) e a cebola (5,7%).
Na comparação com fevereiro deste ano, o levantamento de março destaca o aumento do cultivo de três produtos – algodão em caroço (4%), milho em grão (0,4%) e soja em grão (0,6%) – e a queda de três: arroz em casca (-4,8%), café em grão (-4,7%) e feijão em grão (-4,3%).
Segundo a pesquisa, a safra de grãos para 2010 deverá ter a maior participação da Região Sul, com 61,1 milhões de toneladas (16,6%); seguida pelo Centro-Oeste, com 50,4 milhões de toneladas (3,3%); Sudeste, com 16,5 milhões de toneladas (-4,2%); Nordeste, com 13,2 milhões de toneladas (13,8%); e Norte, com 3,9 milhões de toneladas (3,9%).A diferença entre os dados divulgados pelo IBGE (145,2 milhões de toneladas) e pela
Conab (146,31 milhões de toneladas) se deve aos períodos avaliados. O instituto analisa a colheita de janeiro a dezembro e a estatal se baseia no chamado ano-safra, que vai de agosto a julho.
Fonte: Agência Brasil